domingo, 20 de setembro de 2015

AT9. PV - Leitura e Produção Textual ANÁLISE CRÍTICA DA EXPERIÊNCIA DE INTERVENÇÃO NA ESCOLA E DA SUA FORMAÇÃO PROFISSIONAL NO ÂMBITO DO CURSO – ESCRITA DA TERCEIRA SEÇÃO DO TCC

Este texto tem por finalidade fazer uma análise crítica da experiência de elaboração do Plano de Intervenção executado na UME Proª Elza Silva dos Santos - Cubatão - SP, além de fazer uma análise da minha formação profissional em serviço, neste curso, destacando pois, os aspectos positivos e negativos em termos de aprendizado, teórico e prático.
 Durante o curso de gestão da UFSCAR pude vivenciar juntamente com o restante da equipe gestora, membros do Conselho de Escola e APM, professores, funcionários, alunos e comunidade escolar a elaboração do Projeto de Intervenção da escola em que atuo como assistente de direção, projeto este que vem subsidiando as ações que nortearão a construção do PPP da escola. 
Assim, com todos os representantes de cada segmento da escola reunidos, auxiliados pelos fundamentos legais, pela teoria, pela prática e vivência de cada um e, voltados para a análise de nossa realidade, penso que estamos agindo, verdadeiramente, de forma democrática e participativa, oportunizando a todos os envolvidos, voz ativa nas decisões.
Cada etapa tem proporcionado momentos de reuniões da equipe gestora com a comunidade escolar e com os vários segmentos da escola, em prol de objetivos comuns, como: promover a integração entre a comunidade escolar e a comunidade local de forma cooperativa e participativa, organizar os processos educativos, estruturais, administrativos e financeiros da escola, para assim, oferecer uma escola de melhor qualidade.
A LDB 9394/96, em seus artigos 14 e 15, prevê a gestão democrática do ensino, a participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e a participação das comunidades escolares e locais em Conselhos Escolares ou equivalentes, para tal é necessário que os sistemas de ensino assegurem progressivos graus de autonomia pedagógica, administrativa e financeira. Portanto, para que o PPP seja um documento norteador das rotinas escolares, das práticas educativas, dos processos avaliativos, dos mecanismos de ensino-aprendizagem e das estruturas organizacionais da escola é necessário que ele seja construído coletivamente; com todos os envolvidos no processo educativo participando das ações e tomada de decisões; e, que seja flexível e constantemente reformulado para que atinja seu principal objetivo: a aprendizagem efetiva de todos os alunos e uma educação de qualidade.
Assim, o processo de construção do Projeto de Intervenção da escola está servindo para que a escola se abra como um espaço voltado ao diálogo, lugar este onde se respeita as opiniões de todos, se discute, se debate, se reflete, se pensa na escola, nos alunos, na comunidade em que a escola está inserida e no trabalho que é realizado.
É importante destacar que esse espaço de diálogo dentro da escola está sendo bastante positivo e produtivo, pois é neste momento que se pode decidir, no coletivo, o que se pretende realizar, em prol da melhoria da educação. Logo, nossa meta é assegurar que todos tenham a oportunidade de participar da elaboração do PPP, tornando-se corresponsáveis pela construção desse documento e, portanto, responsáveis pelas ações e objetivos propostos, assim como pela avaliação do mesmo.
Por outro lado, ainda é tímida a participação da comunidade escolar em movimentos de constituição e participação em órgãos colegiados como o Conselho de Escola e APM. Vê-se claramente uma falta de interesse ou compromisso de alguns pais, no sentido de se colocarem como membros de tais colegiados, em participar das assembleias ou mesmo na participação de eventos, palestras de formação na escola ou mesmo reuniões de pais.
Muitos são os motivos da ausência dos pais no ambiente escolar: uns alegam falta de tempo, outros em não querer se comprometer, ou ainda, a não compreensão dos processos. No entanto, estamos empenhados em buscar alternativas para driblar essa questão, sem desistir do foco principal que é oportunizar a participação de todos na construção do PPP.
Nesse percurso, em que foram articulados trabalho, estudos, pesquisas e debates, pode-se dizer que até o presente momento foi possível colher diversas informações importantes sobre o funcionamento da escola, no que se referem às questões administrativas e pedagógicas; sobre as expectativas, interesses e envolvimento dos pais nas decisões relativas à melhoria da escola, na participação destes nas atividades escolares de seus alunos.
Dentro dessa  trajetória percebe-se que são grandes os desafios na prática de gerir a escola e em reunir os diversos segmentos da comunidade escolar, em prol de promover a execução do projeto.
Para incentivar a participação da comunidade local nesse processo, o convite para participar das reuniões do Conselho de Escola e APM se deu por meio cartazes afixados no portão da escola, telefonemas e convites formais. Tentamos assim, conscientizá-la da sua importância e que sua presença e opinião são fundamentais para que atinjamos os fins da atividade escolar: acesso, permanência e aprendizagem efetiva dos alunos.
Nesse sentido, a elaboração do Projeto de Intervenção vem sendo desenvolvida desde o início do curso, tendo como eixo norteador os princípios da Gestão Democrática. Tem como objetivo maior possibilitar a articulação entre a teoria e a prática, proporcionando a nós, gestores, juntamente com todo o coletivo da escola, a oportunidade de refletir e intervir na realidade da instituição, propor ações que visem aperfeiçoar as demandas identificadas pelo grupo como frágeis e avaliar o processo.
Esse processo, todavia, foi dividido em etapas fundamentando-se, pois, nos princípios da pesquisa-ação-reflexão, onde a observação da realidade escolar, o levantamento das necessidades, a proposição de encaminhamentos para os problemas apresentados e a autoavaliação são essenciais para se verificar a eficácia das ações propostas.
Assim, nesse processo, consegui ampliar meu olhar a respeito da realidade em que nossa escola está inserida, tive a oportunidade, embora com pouco coro, de dialogar com a comunidade escolar e local e os diversos segmentos sobre a realidade vivenciada pela instituição e, de propor ações e metas a fim de se oferecer uma educação escolar de melhor qualidade.
Como forma de ouvir o posicionamento dos pais, visto a pouca da participação da comunidade, optou-se por realizar entrevistas com os alunos e aplicar um questionário aos pais, a fim de se obter informações para a constituição de um real diagnóstico da escola e que este contribuísse para o planejamento e efetivação do PI, garantindo assim os olhares de todos os envolvidos no processo educativo e não apenas o olhar da equipe gestora ou dos docentes.
Tal proposta proporcionou a todos uma rica reflexão e compreensão do real papel da escola e da família. Destaca-se aqui, no retorno da pesquisa, a participação de 95% dos pais nas colocações de ideias, na percepção do desejo de poder fazer a diferença, na aspiração de querer modificar a realidade em que estão inseridos, na credibilidade e reconhecimento dos trabalhos desenvolvidos pela escola para obter a melhoria da qualidade do ensino, promovendo assim a construção de uma escola para todos.
Os caminhos percorridos no decorrer deste curso, por meio das atividades propostas, que estiveram pautadas no princípio da gestão democrática, com a participação da comunidade escolar em todos os momentos, tiveram como objetivo a construção de PPP da escola e para tal, as tarefas foram assim organizadas em reuniões previamente agendadas no início do ano letivo: 1. Constituição da APM e do Conselho de escola; 2. Definição do objeto de estudo do PI; 3. Caracterização do município, do bairro e da escola; 4. Elaboração das prioridades da escola; 5. Estabelecimento dos objetivos e metas a serem atingidos; 6. Formalização do PI; 7. Proposta de avaliação institucional. 8. Formalização do PPP da escola.
Quanto à formação continuada em serviço, entendida como parte fundamental do desenvolvimento profissional, é um importante instrumento de reflexão e estudo para embasar as ações dentro do espaço escolar.
É importante destacar que o Curso de Especialização em Gestão Educacional oferecido pela Universidade Federal de São Carlos foi ministrado na modalidade EaD, tendo como característica a formação semipresencial, por meio do ambiente virtual moodle e é nesse ambiente que são desenvolvidas as atividades propostas pelo curso, tais como: sala de chat, fóruns, postagens individuais e coletivas, sala ambiente de estudos com acesso aos materiais online do curso, gerenciamento de blog, além dos conteúdos e postagem das atividades realizadas durante os encontros presenciais.
Os fóruns tinham como tema de partida o assunto principal de cada módulo, mas também abriam a discussão para questões práticas vivenciadas na escola e dúvidas sobre as atividades a serem desenvolvidas. O curso conta também com professores responsáveis pelas turmas e com tutores de apoio.
Quanto aos encontros presenciais, realizados nos polos de apoio, estes aconteciam aos sábados com o intuito de trocar ideias, relatar experiências e refletir sobre elas, sanar dúvidas, compartilhar angústias, obter orientações dos professores e tutores e fazer as avaliações dos módulos estudados.
Nesse sentido, a formação continuada tem me possibilitado refletir sobre o trabalho desenvolvido, construir novos conhecimentos, compartilhar experiências e constituir novas práticas, favorecendo assim tanto o desenvolvimento profissional quanto o processo de gestão democrática da escola.
A formação em serviço por mim vivenciada está sendo muito gratificante pelos resultados construídos durante este processo. Destaco-a como positiva por permitir a reflexão sobre a minha prática, sobre os desafios enfrentados durante a realização do PI, da possibilidade de levar elementos da prática para o cotidiano da escola, buscando na teoria e nas discussões, soluções para os questionamentos, algo que torna o conhecimento adquirido mais efetivo.
Quero destacar também a relevância da formação continuada à distância neste processo, no que se refere à flexibilidade espaço-temporal dessa modalidade, permitindo que organizasse meus estudos de acordo com minhas possibilidades e vontades.
Outro ponto positivo que destaco da modalidade EaD é quanto à inclusão digital e o uso das TIC’s, pois elas garantem a possibilidade de atualizar rapidamente informações, dados ou índices, ajudam na comunicação e divulgação da escola, simplificando o trabalho pedagógico, administrativo e gerenciamento escolar.
No  exercício do meu  trabalho, essa formação, tanto no estudo individual à distância por meio do ambiente virtual quanto nos encontros presenciais, tem me oportunizado aplicar na escola o que vivencio no curso. Assim tenho buscado compreender  melhor, junto com toda equipe e comunidade escolar, os impasses presentes no âmbito escolar. E o mais importante, ter a possibilidade de encontrar, junto com o coletivo, soluções para os problemas que vão surgindo ao longo dessa caminhada.
Nessa  perspectiva percebe-se o quanto é  importante  a  formação continuada, uma vez que ela contribui em muitos aspectos, inclusive para que haja novos conhecimentos, novas possibilidades e novas reflexões a respeito do trabalho que é desenvolvido na escola, buscando assim a constante melhoria da educação.
E é  nessa  direção que  ganha  sentido este  trabalho que  ora  realizo, pois tenho tido a oportunidade de aprender, compreender e vivenciar o significado de uma gestão escolar verdadeiramente democrática.
Despertar um olhar reflexivo para o cotidiano da escola (seu funcionamento, sua estrutura física, seus alunos e a comunidade atendida, sobre como funciona a gestão da escola e como se dá a relação entre a escola e a família) requer dos gestores e de todos os envolvidos no processo educacional um olhar crítico capaz de criar ações, de administrar as complexidades e de resolver situações problemáticas por meio da integração entre a teoria e os conhecimentos práticos adquiridos.
Assim, pode-se afirmar que a formação continuada, como subsidiadora dos aspectos teóricos, oportuniza a atividade de refletir sobre a prática.
Sabe-se que o ensino à distância representa um importante avanço na democratização e universalização da educação. Portanto, neste curso, posso afirmar que não houve aspectos negativos, o que houve foram aspectos que demandaram maior complexidade que outros. Como exemplo, cito a dificuldade de reunir, in loco, a comunidade escolar e local para debater assuntos pertinentes às demandas escolares, visto a dinâmica da escola. Outro aspecto que demandou ações sistemáticas foi a compilação dos dados discutidos, pesquisados e/ou coletados em formato de um documento único que ficasse claro, porém simples e objetivo e, que fosse compreendido por todos.
Acredito que a formação em serviço, embora não seja a única solução para todos os desafios postos à escola, constitui-se como uma atividade fundamental na formação de todos que fazem parte do processo educacional.
Assim sendo, chega-se a conclusão que uma das características da formação continuada em serviço é a de possibilitar o contato com experiências e reflexões que possam ser úteis à compreensão e a solução dos problemas presentes no cotidiano escolar, trazendo não só a nós, gestores, mas também à toda a comunidade escolar, a experiência de por em prática o que se aprende na teoria, possibilitando assim, a melhoraria da qualidade do processo de ensino e aprendizagem em nossas escolas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALVARADO-PRADA, L. E. Formação participativa de docentes em serviço. Taubaté: Cabral Editora Universitária, 1997.

BRASIL. Ministério da Educação (2004), Caderno 1 – Conselhos Escolares: Democratização da Escola e Construção da Cidadania.  Secretaria de Educação Básica.
________Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei n. 9.394/96.

NÓVOA, A (Org). Os professores e sua formação. Lisboa: Dom Quixote, 1992.



Nenhum comentário:

Postar um comentário