Este texto tem por finalidade fazer uma análise crítica da experiência de elaboração do Plano de Intervenção executado na UME Proª Elza Silva dos Santos - Cubatão - SP, além de fazer uma análise da minha formação profissional em serviço, neste curso, destacando pois, os aspectos positivos e negativos em termos de aprendizado, teórico e prático.
Durante o curso de
gestão da UFSCAR pude vivenciar juntamente
com o restante da equipe gestora, membros do Conselho de Escola e APM,
professores, funcionários, alunos e comunidade escolar a elaboração do Projeto de Intervenção da escola em que atuo como assistente de direção, projeto este que vem subsidiando as ações que nortearão a construção do PPP da escola.
Assim, com todos
os representantes de cada segmento da escola reunidos, auxiliados pelos
fundamentos legais, pela teoria, pela prática e vivência de cada um e, voltados
para a análise de nossa realidade, penso que estamos
agindo, verdadeiramente, de forma democrática e participativa, oportunizando a
todos os envolvidos, voz ativa nas decisões.
Cada etapa tem proporcionado
momentos de reuniões da equipe gestora com a comunidade escolar e com os vários
segmentos da escola, em prol de objetivos comuns, como: promover
a integração entre a comunidade escolar e a comunidade local de forma
cooperativa e participativa, organizar os processos educativos, estruturais,
administrativos e financeiros da escola, para assim, oferecer uma escola de melhor
qualidade.
A LDB 9394/96, em seus
artigos 14 e 15, prevê a gestão democrática do ensino, a participação dos
profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e a
participação das comunidades escolares e locais em Conselhos Escolares ou
equivalentes, para tal é necessário que os sistemas de ensino assegurem
progressivos graus de autonomia pedagógica, administrativa e financeira.
Portanto, para que o PPP seja um documento norteador das rotinas escolares, das
práticas educativas, dos processos avaliativos, dos mecanismos de ensino-aprendizagem
e das estruturas organizacionais da escola é
necessário que ele seja construído coletivamente; com todos os envolvidos no
processo educativo participando das ações e tomada de decisões; e, que seja flexível
e constantemente reformulado para que atinja seu principal objetivo: a aprendizagem
efetiva de todos os alunos e uma educação de qualidade.
Assim, o processo de
construção do Projeto de Intervenção da escola está servindo para que a
escola se abra como um espaço voltado ao diálogo, lugar este onde se respeita
as opiniões de todos, se discute, se debate, se reflete, se pensa na escola,
nos alunos, na comunidade em que a escola está inserida e no trabalho que é
realizado.
É importante destacar que esse espaço
de diálogo dentro da escola está sendo bastante positivo e produtivo, pois é
neste momento que se pode decidir, no coletivo, o que se pretende realizar, em prol
da melhoria da educação. Logo, nossa meta é assegurar que todos tenham a
oportunidade de participar da elaboração do PPP, tornando-se corresponsáveis
pela construção desse documento e, portanto, responsáveis pelas ações e
objetivos propostos, assim como pela avaliação do mesmo.
Por outro lado, ainda é
tímida a participação da comunidade escolar em movimentos de constituição e
participação em órgãos colegiados como o Conselho de Escola e APM. Vê-se
claramente uma falta de interesse ou compromisso de alguns pais, no sentido de
se colocarem como membros de tais colegiados, em participar das assembleias ou
mesmo na participação de eventos, palestras de formação na escola ou mesmo
reuniões de pais.
Muitos são os motivos da
ausência dos pais no ambiente escolar: uns alegam falta de tempo, outros em não
querer se comprometer, ou ainda, a não compreensão dos processos. No entanto, estamos
empenhados em buscar alternativas para driblar essa questão, sem desistir do
foco principal que é oportunizar a participação de todos na construção do PPP.
Nesse percurso, em
que foram articulados trabalho, estudos, pesquisas e debates, pode-se
dizer que até o presente momento foi possível colher
diversas informações importantes sobre o funcionamento da escola, no que se
referem às questões administrativas e pedagógicas; sobre as expectativas,
interesses e envolvimento dos pais nas decisões relativas à melhoria da escola,
na participação destes nas atividades escolares de seus alunos.
Dentro dessa
trajetória percebe-se que são grandes os desafios na prática de gerir
a escola e em reunir os diversos segmentos da comunidade escolar, em prol
de promover a execução do projeto.
Para incentivar a
participação da comunidade local nesse processo, o convite para participar das
reuniões do Conselho de Escola e APM se deu por meio cartazes afixados no
portão da escola, telefonemas e convites formais. Tentamos assim,
conscientizá-la da sua importância e que sua presença e opinião são
fundamentais para que atinjamos os fins da atividade escolar: acesso,
permanência e aprendizagem efetiva dos alunos.
Nesse sentido, a
elaboração do Projeto de Intervenção vem sendo desenvolvida desde o início do
curso, tendo como eixo norteador os princípios da Gestão Democrática. Tem como
objetivo maior possibilitar a articulação entre a teoria e a prática, proporcionando
a nós, gestores, juntamente com todo o coletivo da escola, a oportunidade de
refletir e intervir na realidade da instituição, propor ações que visem
aperfeiçoar as demandas identificadas pelo grupo como frágeis e avaliar o
processo.
Esse processo, todavia,
foi dividido em etapas fundamentando-se, pois, nos princípios da pesquisa-ação-reflexão,
onde a observação da realidade escolar, o levantamento das necessidades, a
proposição de encaminhamentos para os problemas apresentados e a autoavaliação
são essenciais para se verificar a eficácia das ações propostas.
Assim, nesse processo,
consegui ampliar meu olhar a respeito da realidade em que nossa escola está
inserida, tive a oportunidade, embora com pouco coro, de dialogar com a comunidade
escolar e local e os diversos segmentos sobre a realidade vivenciada pela
instituição e, de propor ações e metas a fim de se oferecer uma educação
escolar de melhor qualidade.
Como forma de ouvir o
posicionamento dos pais, visto a pouca da participação da comunidade, optou-se
por realizar entrevistas com os alunos e aplicar um questionário aos pais, a
fim de se obter informações para a constituição de um real diagnóstico da
escola e que este contribuísse para o planejamento e efetivação do PI,
garantindo assim os olhares de todos os envolvidos no processo educativo e não
apenas o olhar da equipe gestora ou dos docentes.
Tal proposta proporcionou
a todos uma rica reflexão e compreensão do real papel da escola e da família. Destaca-se aqui, no retorno da pesquisa, a participação de 95% dos pais nas colocações de ideias, na percepção do desejo de poder fazer a diferença, na aspiração de querer modificar a realidade em que estão inseridos, na credibilidade e reconhecimento dos trabalhos desenvolvidos pela escola para obter a melhoria da qualidade do ensino, promovendo assim a construção de uma escola para todos.
Os caminhos percorridos no
decorrer deste curso, por meio das
atividades propostas, que estiveram pautadas no princípio da gestão democrática,
com a participação da comunidade escolar em todos os momentos, tiveram como
objetivo a construção de PPP da escola e para tal, as tarefas foram assim
organizadas em reuniões previamente agendadas no início do ano letivo: 1. Constituição
da APM e do Conselho de escola; 2. Definição do objeto de estudo do PI; 3.
Caracterização do município, do bairro e da escola; 4. Elaboração das
prioridades da escola; 5. Estabelecimento dos objetivos e metas a serem
atingidos; 6. Formalização do PI; 7. Proposta de avaliação institucional. 8.
Formalização do PPP da escola.
Quanto à formação
continuada em serviço, entendida como parte fundamental do desenvolvimento
profissional, é um importante instrumento de reflexão e estudo para embasar as
ações dentro do espaço escolar.
É importante destacar
que o Curso de Especialização em Gestão Educacional oferecido pela Universidade
Federal de São Carlos foi ministrado na modalidade EaD, tendo como
característica a formação semipresencial, por meio do ambiente virtual moodle e
é nesse ambiente que são desenvolvidas as atividades propostas pelo curso, tais
como: sala
de chat, fóruns, postagens individuais e coletivas, sala
ambiente de estudos com acesso aos materiais online do curso, gerenciamento
de blog, além dos conteúdos e postagem das atividades realizadas durante os
encontros presenciais.
Os fóruns tinham como tema de partida o
assunto principal de cada módulo, mas também abriam a discussão para questões
práticas vivenciadas na escola e dúvidas sobre as atividades a serem
desenvolvidas. O curso conta também com professores responsáveis
pelas turmas e com tutores de apoio.
Quanto aos encontros presenciais,
realizados nos polos de apoio, estes aconteciam aos sábados com o
intuito de trocar ideias, relatar experiências e refletir sobre elas, sanar
dúvidas, compartilhar angústias, obter orientações dos
professores e tutores e fazer as avaliações dos módulos
estudados.
Nesse sentido, a
formação continuada tem me possibilitado refletir sobre o trabalho
desenvolvido, construir novos conhecimentos, compartilhar experiências e constituir
novas práticas, favorecendo assim tanto o desenvolvimento profissional quanto o
processo de gestão democrática da escola.
A formação em serviço por
mim vivenciada está sendo muito gratificante pelos resultados construídos durante
este processo. Destaco-a como positiva por permitir a reflexão
sobre a minha prática, sobre os desafios enfrentados durante a realização do
PI, da possibilidade de levar elementos da prática para o cotidiano da escola, buscando
na teoria e nas discussões, soluções para os questionamentos, algo que torna o conhecimento
adquirido mais efetivo.
Quero destacar também a
relevância da formação continuada à distância neste processo, no que se refere
à flexibilidade espaço-temporal dessa modalidade, permitindo que organizasse
meus estudos de acordo com minhas possibilidades e vontades.
Outro ponto positivo
que destaco da modalidade EaD é quanto à inclusão digital e o uso das TIC’s,
pois elas garantem a possibilidade de atualizar rapidamente informações, dados
ou índices, ajudam na comunicação e divulgação da escola, simplificando o trabalho pedagógico, administrativo
e gerenciamento escolar.
No exercício do
meu trabalho, essa formação, tanto no estudo individual à distância
por meio do ambiente virtual quanto nos encontros presenciais, tem
me oportunizado aplicar na escola o que vivencio no
curso. Assim tenho buscado compreender melhor, junto com
toda equipe e comunidade escolar, os impasses presentes no âmbito escolar. E o
mais importante, ter a possibilidade de encontrar, junto com o coletivo,
soluções para os problemas que vão surgindo ao longo dessa caminhada.
Nessa perspectiva
percebe-se o quanto é importante a formação continuada, uma
vez que ela contribui em muitos aspectos, inclusive para que haja novos
conhecimentos, novas possibilidades e novas reflexões a respeito do trabalho
que é desenvolvido na escola, buscando assim a constante melhoria da educação.
E é nessa
direção que ganha sentido este trabalho que ora
realizo, pois tenho tido a oportunidade de aprender, compreender e vivenciar o
significado de uma gestão escolar verdadeiramente democrática.
Despertar um olhar
reflexivo para o cotidiano da escola (seu funcionamento, sua estrutura física,
seus alunos e a comunidade atendida, sobre como funciona a gestão da escola e
como se dá a relação entre a escola e a família) requer dos gestores e de todos
os envolvidos no processo educacional um olhar crítico capaz de criar ações, de
administrar as complexidades e de resolver situações problemáticas por meio da
integração entre a teoria e os conhecimentos práticos adquiridos.
Assim, pode-se afirmar
que a formação continuada, como subsidiadora dos aspectos teóricos, oportuniza
a atividade de refletir sobre a prática.
Sabe-se que o ensino
à distância representa um importante avanço na democratização e universalização
da educação. Portanto, neste curso, posso afirmar que não houve aspectos
negativos, o que houve foram aspectos que demandaram maior complexidade que
outros. Como exemplo, cito a dificuldade de reunir, in loco, a comunidade
escolar e local para debater assuntos pertinentes às demandas escolares, visto
a dinâmica da escola. Outro aspecto que demandou ações sistemáticas foi a
compilação dos dados discutidos, pesquisados e/ou coletados em formato de um
documento único que ficasse claro, porém simples e objetivo e, que fosse
compreendido por todos.
Acredito que a formação em
serviço, embora não seja a única solução para todos os desafios postos à escola,
constitui-se como uma atividade fundamental na formação de todos que fazem
parte do processo educacional.
Assim sendo, chega-se a conclusão
que uma das características da formação continuada em serviço é a de
possibilitar o contato com experiências e reflexões que possam ser úteis à
compreensão e a solução dos problemas presentes no cotidiano escolar, trazendo
não só a nós, gestores, mas também à toda a comunidade escolar, a experiência
de por em prática o que se aprende na teoria, possibilitando assim, a melhoraria
da qualidade do processo de ensino e aprendizagem em nossas escolas.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
ALVARADO-PRADA, L. E. Formação participativa de docentes em serviço. Taubaté: Cabral
Editora Universitária, 1997.
BRASIL. Ministério da Educação (2004), Caderno 1 – Conselhos Escolares:
Democratização da Escola e Construção da Cidadania. Secretaria de
Educação Básica.
________Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei n. 9.394/96.
NÓVOA, A (Org). Os professores e sua formação. Lisboa: Dom Quixote, 1992.
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